”LUTO E MELANCOLIA” de Sigmund Freud

Luto e melancolia

Estava relendo o texto de Freud LUTO E MELANCOLIA, onde o pai da psicanálise fala da sua dor ao perder um de seus melhores amigos, Anton Von Freund e cinco dias após, sua amada filha Sofhie. Três anos mais tarde, Freud vai ao fundo do poço com a morte de seu neto Heinele de quatro anos, filho mais novo de Sophie.

Pensar a questão da morte na teoria psicanalítica deve partir de sua possibilidade de representação, ou seja, a possibilidade de significação da morte no psiquismo e, mais propriamente, no inconsciente.

Já temos aqui uma complicação, pois Freud (1915/1996) afirma veementemente que o inconsciente não retém representações negativas, ou seja, não seria possível falar de uma representação propriamente direta da morte, uma vez que esta deveria significar ausência da vida. Não tendo a experiência da morte, seria, a princípio, impossível ter uma memória dela. Além disso, como a oposição entre representações é um atributo do processo secundário e, portanto, do sistema pré-consciente ou do ego, não poderia haver, no inconsciente, uma representação da morte.

Isso quer dizer que todos os impulsos fundamentais de desejo do homem são positivos. Em outras palavras, as fantasias possuem objetos determinados para sua realização. Assim, a ideia de um desejo de morrer não poderia ser pensada como uma fantasia inconsciente por si só.

Por outro lado, Freud (1920/1996) também afirma que a pulsão de morte é o princípio conservador por excelência e a compulsão à repetição expressa aquilo que é o mais pulsional da pulsão. Nesse sentido, podemos afirmar que a pulsão de morte é a pulsão por excelência e, nesse sentido, a problemática da pulsão de morte está no cerne da constituição do psiquismo.

Daí, chegamos facilmente à conclusão de que a pulsão de morte é contra toda a possibilidade de representação no psiquismo, uma vez que ela é a tendência de descarga absoluta da energia psíquica, o que levaria, em última instância a um esvaziamento e destruição do próprio psiquismo.

Assim, a pulsão de morte age de forma muda no psiquismo, sabotando-o na surdina. Sua expressão só pode ser deduzida de forma indireta, por meio dos fenômenos da compulsão à repetição, da reação terapêutica negativa, do sentimento inconsciente de culpa e da agressividade.

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ZILMAR FERREIRA FREITAS

ZILMAR FERREIRA FREITAS

O Dr. Zilmar é o diretor da escola há mais de 15 anos.Ele tem títulos avançados em Educação, Psicanálise, Filosofia e Administração. Possui graduação Bacharel em Psicologia (Centro Educacional Celso Lisboa/RJ), em Bacharel em Teologia (Integralização de Créditos/MEC) pela Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil (2010), Licenciatura em Pedagogia e Filosofia (Faculdade Einstein), Pós Graduação em: DOCENCIA DO ENSINO SUPERIOR, pela Universidade Gama Filho, PSICOPEDAGOGIA, pela FACEI, SUPERVISÃO, ADMINISTRAÇÃO E ORIENTAÇÃO pela FACEI, Formação em Psicanalise pela ESCOLA SUPERIOR DE PSICANALISE CLINICA DO RJ, MESTRADO em Psicanalise da Educação pelo Centro Avançado de Educação e Cultura e DOUTORADO em Psicanálise pela AMERICAN UNIVERSITY e Teologia do Meio Ambiente, pela Faculdade Metropolitana de Educação e Estudos Teológicos. PhD Honoris Causa em Filosofia pela Erich Fromm World University.